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A Civilização do Amor



O documento de Puebla desideologiza as virtudes teologais. A fé, que opera através da caridade, se expressa no compromisso de transformação das estruturas opressoras. Não pode ser de nenhum modo privatizada. As palavras do documento são fortes e explícitas: "A Igreja condena aqueles que tendem a reduzir os espaços da fé à vida pessoal ou familiar, excluindo a ordem rofissional, econômica, social e política, como se o pecado, o amor, a oração e o perdão não tivessem aí relevância" (515). A esperança, por sua vez, não consiste em cruzar os braços e deixar acontecer, mas em "forjar a história de açorda com a "práxis" de Jesus. (279>, pois nele encontramos a “atitude de total confiança (no Pai) e ao mesmo tempo de máxima corresponsabilidade” ( 276).

O cristianismo, que traz consigo a originalidade do amor, nem sempre é praticado em sua integridade nem mesmo por nós cristãos. É certo que existe grande heroísmo oculto, muita santidade silenciosa, muitos e maravilhosos gestos de sacrifício. Convidamo-vos a serdes construtores abnegados da "Civilização do Amor", segundo a brilhante visão de Paulo VI, a qual se inspira na palavra, na vida e na plena doação de Cristo e se baseia na justiça. Na verdade e na liberdade.

O amor cristão ultrapassa as categorias de todos os regimes e sistemas, porque traz consigo a força insuperável do Mistério Pascal, o valor do sofrimento da cruz e as marcas da vitória e da ressurreição. 0 amor gera a felicidade da comunhão e inspira os critérios da participação.

A civilização do amor repudia a violência, o egoísmo, o esbanjamento, a exploração e os desatinos morais. À primeira vista, parece uma expressão falha da energia que é necessária para que se enfrentem os graves problemas de nossa época. Entretanto, nós vos garantimos: não existe palavra mais forte do que esta no dicionário dos cristãos. Identifica-se com a própria força de Cristo. Quem não crê no amor também não crê naquele que disse: "Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos tenho amado" (Jo 15,12).

A civilização do amor propõe a todos a riqueza evangélica da reconciliação nacional e internacional. Não existe gesto mais sublime do que o perdão. Quem não sabe perdoar não será perdoado. A civilização do amor condena as divisões absolutas e as muralhas psicológicas que separam violentamente os homens, as instituições e as comunidades internacionais.

Nesta angústia e dor, a Igreja discerne uma situação de pecado social, cuja gravidade é tanto maior quanto se dá em países que se dizem católicos e que têm a capacidade de mudar: "que se derrubem as barreiras da exploração . . . contra as quais se estraçalham seus maiores esforços de promoção" (João Paulo II, Alocução Oaxaca 5 AAS LXXI p. 209).

As angústias e frustrações, se as consideramos à luz da fé, têm por causa o pecado, cujas dimensões pessoais e sociais são muito amplas. As esperanças e expectativas de nosso povo nascem de seu profundo sentido religioso e de sua riqueza humana.

Até o instante em que nosso continente foi alcançado e envolvido pela vertiginosa corrente de mudanças culturais, sociais, econômicas, políticas e técnicas da época moderna, o peso da tradição ajudava a comunicação do Evangelho: o que a Igreja ensinava do púlpito era ciosamente recebido no lar e na escola e sustentado pelo ambiente social. Hoje em dia já não acontece o mesmo. O que a Igreja propõe é aceito ou não, dentro de um clima de mais liberdade, com marcado sentido crítico.

A ignorância e o indiferentismo religioso levam muitos a prescindir dos princípios morais, quer pessoais quer sociais, e a fechar-se no ritualismo ou na prática social de certos sacramentos e de exéquias, como sinal de pertença à Igreja.

A consciência que a Igreja tem de sua missão evangelizadora tem-na levado a publicar, nestes últimos dez anos, numerosos documentos sobre a justiça social; a criar organismos de solidariedade em favor dos que sofrem, de denúncia contra as violações e de defesa das direitos humanos; a encorajar a opção de sacerdotes e religiosos pelos pobres e marginalizados; a suportar em seus membros a perseguição e, às vezes, a morte, como testemunho de sua missão profética.

A Igreja, cada vez mais, faz questão de ser independente dos poderes deste mundo, para assim dispor de um amplo espaço de liberdade que lhe permita realizar seu labor apostólico, sem interferências estranhas: o exercício do culto, a educação da fé e o desenvolvimento das variadíssimas atividades que levam os fiéis a traduzir em sua vida privada, familiar ou social, os imperativos morais que emanam esta mesma fé. Assim, livre de compromissos, apenas com seu testemunho de ensino, a Igreja merecerá mais credibilidade e será melhor ouvida. Desta maneira, será evangelizado o próprio exercício do poder em ordem ao bem comum.

A Igreja assume a defesa dos direitos humanos e se solidariza com os que lutam por eles. o discurso de S.S. João Paulo II ao Corpo Diplomático, de 20 de outubro de 1978: "A Santa Sé atua nesta esfera sabendo que a liberdade, o respeito à vida e à dignidade das pessoas - que jamais são instrumento – a igualdade de tratamento, a consciência profissional no trabalho e a procura solidária do bem comum, o espírito de reconciliação, a abertura aos valores espirituais, são exigências fundamentais da vida harmoniosa em sociedade, do progresso dos cidadãos e de sua civilização".

A Igreja confia mais na força da verdade e na educação para a liberdade e a responsabilidade do que em proibições, já que sua lei é o amor. O Povo de Deus é um povo universal. É a família de Deus na terra, povo santo, povo que peregrina na história, povo enviado. A Igreja é um povo universal destinado a ser "luz das nações" (Is 49,6; Lc 2,32) .

Todos estes aspectos são outros tantos sinais de esperança e alegria para quem vive imerso no mistério pascal de Cristo e sabe que unicamente o Evangelho vivido e proclamado, como ele o fez, leva à autêntica e total libertação da humanidade: "E em nenhum outro se encontra a salvação; pois, debaixo do céu não foi dado aos homens outro nome pelo qual possamos salvar-nos" (At 4, 12). Ele é a plenitude de todo o ser. É somente em Cristo que o homem encontra sua alegria perfeita.

Texto retirado do Documento de Puebla, do Episcopado Latino-Americano (1979).

"Deus vos abençoe!!!"
Fundador Gleydson do Blog Verbo Pai
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