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Os dois de Emaús

Um «diálogo a três» que deve ter como protagonistas cada um de nós num face a face com Jesus e a adúltera — pecadora sim, mas vítima por excelência dos «corações de pedra» — para nos deixar imbuir da «ternura de Deus» que, como aconteceu com os dois discípulos de Emaús, nos «aquece o coração» e abre os nossos olhos. Um convite vigoroso a não nos deixarmos fechar na «rigidez» que nos leva até a «tapar os ouvidos e a ranger os dentes» para impedir que o Espírito Santo entre, foi feito pelo Papa durante a missa de hoje.

«Na semana passada refletimos sobre o ser cristão», recordou Francisco e «vimos que o cristão é uma testemunha de obediência», precisamente como Jesus que obedeceu até à morte, e morte de cruz». Por conseguinte, o cristão é «testemunha de obediência». E «hoje — explicou o Papa, referindo-se imediatamente ao trecho dos Atos dos Apóstolos (7, 51 – 8, 1) — a primeira leitura faz-nos ver outra testemunha de obediência em Estêvão: perseguido, acusado também com a mesma malvadez com a qual o foi Jesus, por dizer a verdade, por ser testemunha da obediência». E «isto faz-me pensar — observou Francisco — nos vários modos de não entender a palavra de Deus, porque os que lapidaram Estêvão não compreenderam a palavra de Deus».

Assim o Pontífice propôs antes de tudo o exemplo dos «discípulos de Emaús» que «não compreendiam e estavam a caminho». Mas «o que lhes diz Jesus? “Insensatos, tardios de coração para compreender”», mas depois «começam: sim, não estavam fechados, contudo não compreendiam». É verdade, reconheceu o Papa «não é um elogio dizer “insensato”, nem é tão forte como o que Estêvão diz àquelas pessoas» que o lapidaram: com efeito, a eles Estêvão «diz “teimosos”, “incircuncisos no coração e nos ouvidos”, e “incircunciso” é como chamar “pagão” a alguém».

Jesus, aos discípulos de Emaús, «não diz “pagãos”» mas «“crentes pela metade”: “Vós credes, críeis, agora não, tendes uma dúvida”». Mas quantos lapidaram Estêvão, explicou Francisco, «estão convictos: são pagãos». Sim, os discípulos de Emaús «não compreendiam, sentiam-se até temerosos porque não queriam problemas e afastavam-se de Jerusalém: tinham medo. Mas eram bons. Com estes limites, mas bons: estavam abertos à verdade».

Ao contrário, quantos acusaram e lapidaram Estêvão, afirmou o Papa, «eram pessoas fechadas à verdade, rígidas e quando Estêvão os repreende com palavras duras — “como os vossos pais, assim sois também vós” — ficaram furiosos nos seus corações: o coração estava fechado pela fúria “e rangiam os dentes contra Estêvão”».

Os discípulos de Emaús, por sua vez, mantiveram uma atitude diferente diante desta reprovação e «ouviam, deixavam que as palavras de Jesus entrassem e o coração aquecia».

Além disso, os Atos dos apóstolos, prosseguiu o Pontífice, narram que «quando Estêvão diz que vê Jesus na glória», os seus perseguidores «tapam os ouvidos: não queriam! – não queriam – ouvir». Este «é o drama do fechamento do coração; o coração duro, a rigidez do coração».

«O Senhor adverte o seu povo no salmo 94: “Não endureçais o vosso coração como em Meriba”» afirmou o Papa. E «depois, com o profeta Ezequiel, faz uma promessa lindíssima: “Vós tendes um coração de pedra mas dar-vos-ei um coração de carne”, isto é um coração que saiba sentir, ouvir, receber o testemunho da obediência e que o Verbo veio na carne». Mas «isto — acrescentou — faz sofrer muito a Igreja: os corações fechados, corações de pedra, corações que não querem abrir-se, que não querem ouvir: os corações que só conhecem a linguagem da condenação. Eles “sabem condenar” e não sabem dizer “explica-me, por que dizes isto? Porquê? Explica-me”. Não, são fechados, sabem tudo, não precisam de explicações». E assim «como repreendia Estêvão, e também Jesus os tinha repreendido, “que fizestes aos profetas? Mataste-los, porque vos diziam o que não vos agradava”».

Enfim, insistiu o Papa, «não havia lugar no seu coração para o Espírito Santo». Mas precisamente «a leitura de hoje nos diz que Estêvão, cheio do Espírito Santo, compreendeu tudo: era testemunha da obediência do Verbo que se fez carne, e isto é feito pelo Espírito Santo». E se Estêvão «estava cheio dele, um coração fechado, um coração teimoso, assim um coração pagão não deixa que o Espírito entre e sente que se basta a si mesmo».

Francisco sugeriu que olhemos para «estes dois grupos: os dois de Emaús somos nós, com muitas dúvidas, pecados e muitas vezes somos cobardes e queremos afastar-nos da cruz, das provações. Mas abramos espaço para ouvir Jesus que nos aquece o coração. E peçamos a graça de nos tornarmos como eles».

«Olhemos para o outro grupo» prosseguiu o Papa, formado pelos que «tapam os ouvidos, não querem ouvir: com ar de suficiência, fechados na rigidez da lei». A eles «Jesus falou tanto, dizendo coisas até mais pesadas das que disse Estêvão». «Podemos terminar com um diálogo a três: cada um de nós entra em diálogo entre Jesus e a vítima dos corações de pedra, a adúltera». Escribas e fariseus «queriam lapidá-la: era uma pecadora». Mas «Jesus responde apenas: “Olhai para dentro de vós”». E assim hoje, afirmou o Pontífice, «olhemos para a ternura de Jesus: o testemunho da obediência, a grande testemunha Jesus, que deu a vida, faz com que vejamos a ternura de Deus em relação a nós, aos nossos pecados e às nossas debilidades».

«Entremos neste diálogo — sugeriu Francisco — e peçamos a graça de que o Senhor enterneça um pouco o coração dos rígidos, de quantos estão sempre fechados na lei e condenam tudo o que está fora daquela lei: não sabem que o Verbo se fez carne, que o Verbo é testemunha de obediência; não sabem que a ternura de Deus é capaz de arrancar um coração de pedra e pôr no seu lugar um coração de carne».

Fonte: Vatican.va

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