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As Lágrimas Geraram Esperança

Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso compartilhar o seu desespero; para enxugar as lágrimas do rosto de quem sofre, é preciso unir o nosso pranto ao seu. Só assim podem as nossas palavras ser realmente capazes de dar um pouco de esperança. 

Vemos acontecer isto na profecia de Jeremias que se dirige ao povo exilado em Babilónia e personificado na sua matriarca Raquel, esposa do patriarca Jacob e mãe dos seus filhos José e Benjamim. Ela morreu precisamente ao dar à luz este segundo filho: morreu para que Benjamim vivesse. O profeta imagina Raquel, ou seja, um povo deportado em lágrimas pelos filhos que já não existem, desapareceram para sempre. Mas Deus, na sua delicadeza e no seu amor, responde ao pranto de Raquel: «Haverá recompensa para as tuas penas. Eles voltarão do país inimigo». 

Precisamente pelo pranto da mãe, há ainda uma esperança para os filhos; estes voltarão a viver. As lágrimas geraram esperança: o povo regressará do exílio e poderá livremente viver, na fé, a sua relação com Deus. Como sabemos, o evangelista Mateus vê estas lágrimas de Raquel nas faces das mães de Belém que choram os filhos mortos pelos sicários de Herodes, quando este se propôs matar Jesus. As crianças de Belém morreram por causa de Jesus. 

Mas Ele haveria, por sua vez, de morrer por todos. O Filho de Deus entrou na dor dos homens, compartilhou e aceitou a morte; a sua palavra é definitivamente palavra de consolação, porque nasce do pranto. E, na cruz, será Ele, o Filho moribundo, a dar uma nova fecundidade à sua Mãe, confiando-Lhe o discípulo João e tornando-A mãe do povo dos crentes. A morte está vencida e chega assim ao seu pleno cumprimento a profecia de Jeremias. Também as lágrimas de Maria, como as de Raquel, geram esperança e nova vida.


Equipe de Comunicação Verbo Pai.
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