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Heresias, tão antigas e tão novas: o Arianismo

NA IGREJA ANTIGA, de modo particular no século IV, um dos grandes problemas que a atingiu foi o arianismo, uma corrente de pensamento proveniente de um sacerdote de Alexandria chamado Ário.

O arianismo dá continuidade a determinadas questões sobre a Pessoa de Jesus Cristo e a realidade da Santíssima Trindade. Como compreender o humano e o divino em Jesus? Qual a relação de Jesus, o Filho, com o Pai?

Ao tentar responder a essas questões, Ário se perdeu em demasia entre vários elementos da filosofia grega, querendo enquadrar a fé nos moldes da lógica e do discurso racional. Aqui está, talvez o primeiro equívoco dos arianos, achar que é possível pegar o dado revelado e reduzi-lo aos critérios da razão. A Tradição cristã defenderá um diálogo necessário entre fé e razão, porém deixando claro os limites da razão.

Além disso, neste período, muitos autores tanto cristãos quanto não cristãos, entendiam que entre Deus e o mundo haveria seres intermediários subordinados a Divindade que teriam como finalidade estabelecer a ligação entre Deus, que seria totalmente inacessível, e a realidade criada.

Ora, Ário, influenciado por esses princípios e ao mesmo tempo entendendo que Deus era um Ser absoluto, uno, totalmente transcendente, imutável, fora do tempo, não conseguia conciliar esta noção de Deus com a fé tradicional da Igreja que defendia a divindade e a humanidade de jesus e também a ideia de que Deus seria uno e trino ao mesmo tempo. Assim, para o arianismo, a Encarnação de Deus em Jesus de Nazaré é a realidade da dimensão Trinitária de Deus, era o ápice de um discurso ilógico e irracional.
Desta maneira, parar salvar a coerência da fé cristã, Ário propõe que Jesus, o Filho, até poderia ser divino, mas um “deus menor”, subordinado ao Pai, este sim Deus no sentido absoluto.

Esta subordinação ariana provocou várias reações contrárias. Primeiramente do bispo Alexandre de Alexandria que no ano 318 realizou um sínodo local e condenou o pensamento de Ário. Todavia, Ário continuou tendo apoio de alguns setores da Igreja e da sociedade da época. Assim, no ano 325, convocado pelo imperador Constantino, ocorre o I Concílio Ecumênico, isto é, universal da Igreja na cidade de Niceia.

Com a presença de mais de 300 bispos, o Concílio definiu que Jesus, o Filho, é “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito, consubstancial (homoousios) ao Pai, por Ele foram feitas todas as coisas”.

Com isso fica laro que o Filho e o Pai tem a mesma Natureza, o mesmo Ser divino, logo possuem a mesma dignidade e poder, não havendo um maior e outro menor. O Senhor Jesus não foi apenas um grande homem, um profeta, muito menos um líder revolucionário.

Infelizmente, o processo de recepção das decisões tomadas em Niceia não foi tranquilo. Santo Atanásio (295-373), por exemplo, que foi uma grande coluna da Igreja e um grande defensor da fé conforme esclarecida em Niceia, ficou exilado várias vezes por combater o arianismo.

Enfim, que possamos em nossos dias ter a coragem de Santo Atanásio de defender a verdadeira fé católica, pois é muito comum hoje em dia salientar a humanidade de Jesus ao ponto de negar ou relativizar sua divindade.

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Fonte:
GRACIOSO, Joel, Heresias: tão antigas e tão novas. São Paulo: Kenosis; DDM, 2015, pp. 21-23.

"Deus vos abençoe!!!"
Fundador Gleydson do Blog Verbo Pai
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