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Adoração



A índole de dom, própria da Eucaristia, permite superar, precisamente a partir de uma atenta consideração do rito da Missa na sua natureza de ação litúrgica, uma contraposição imprópria, por vezes criada pela época moderna, entre a Eucaristia como alimento que deve ser consumido (banquete) e como presença divina a adorar.

Se é verdade que no primeiro milénio a adoração eucarística não se expressava nas formas que hoje nós conhecemos, todavia deve-se afirmar que, desde a origem ela esteve bem presente na consciência do povo de Deus. O segundo milénio tornou ainda mais explícito o seu valor, não sem haurir benefício da controvérsia sobre a presença real, na Idade Média, e daquela sobre a permanência de Cristo nas espécies eucarísticas, com a Reforma.

Durante a última Ceia, nos comensais a consciência da concreta presença de Cristo, que se identifica com o pão e o vinho consagrados (cf. Mc 14, 22-24; Mt 26, 26-28; 1 Cor 11, 24-25; Lc 22, 19-20), pedindo a adoração, é imponente. Portanto, é inegável que a prática da adoração eucarística, da maneira como se actua na Igreja latina, tornou mais evidente um dado que pertence à essência da fé no mistério eucarístico (71).

Apresentar como alternativa o comer e o adorar significa não ter em consideração a integridade e a complexa unidade do mistério eucarístico (72). A Ceia eucarística não é unicamente uma refeição em comum, mas é o dom que Cristo faz de si mesmo. Participar neste dom, alimentando-se do seu Corpo, implica já um prostrar-se com fé em adoração (73). Portanto, a adoração do Santíssimo Sacramento é uma só coisa com a celebração da qual provém e para a qual remete: "Na Eucaristia a adoração deve tornar-se união" (75). Esta plena consciência do valor da adoração deve expressar-se até na relevância artístico-arquitectónica, que é devida à conservação da Santíssima Eucaristia nas nossas igrejas (76).

Obviamente, porém, é necessário reiterar com determinação que, como a manducação, assim também a adoração eucarística é sempre uma acção eclesial (77). Não pode ser concebida como uma prática de piedade individualista. Adorar Cristo durante a consagração e a comunhão, e adorá-lo presente no Tabernáculo significa reconhecer-se e comportar-se como membro do seu Corpo eclesial. Assim, o eucarístico não é um encontro que se esgota no acto da manducação, mas é um encontro permanente, como é permanente, em virtude da presença eucarística, a vinda contínua do Senhor à sua Igreja (78).

À luz da natureza eclesial da adoração compreende-se melhor por que motivo a piedade cristã uniu à adoração eucarística também a "reparação" pelos pecados do mundo: diante do Senhor, todos nós, membros do seu Corpo, somos responsáveis uns pelos outros (79).

Texto retirado do XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos "RELATIO ANTE DISCEPTATIONEM"
DO RELATOR-GERAL CARDEAL ANGELO SCOLA DURANTE A PRIMEIRA CONGREGAÇÃO GERAL

"Deus vos abençoe!!!"
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